Com bombardeios e apoio da Rússia, regime sírio retoma mais de um quarto de Ghuta Oriental

Fonte: RFI | Foto: Bassam Khabieh

De nada serviram a trégua e os apelos da comunidade internacional.

Os ataques aéreos e tiros de artilharia do regime, que continuam apesar de uma trégua humanitária diária de cinco horas desde a última segunda-feira (26), forçaram centenas de civis a fugir de suas localidades a oeste do enclave, informou o OSDH. Segundo a Ong, as forças pró-regime estão a apenas 3 km de Duma, principal cidade de Ghuta.

Apoiado por Moscou, o governo de Bashar al-Assad nunca escondeu sua intenção de recuperar esse reduto rebelde onde cerca de 400 mil civis estão cercados pelo exército sírio. Para isso, o regime lançou em fevereiro uma campanha aérea extremamente violenta que matou mais de 650 civis.

O lançamento da ofensiva terrestre nunca foi divulgado oficialmente. No entanto, uma fonte militar, citada pela agência oficial Sana neste domingo, informa que o exército sírio “progrediu em várias frentes”. Essa foi a primeira menção do regime sobre a operação. Há vários dias, os combates terrestres têm se intensificado.

O enclave rebelde de cem quilômetros quadrados representa apenas um terço da vasta região agrícola de Ghuta Oriental. Desde 25 de fevereiro, os combates mataram 76 membros das forças pró-regime e 43 rebeldes do poderoso grupo rebelde Jaich al-Islam, de acordo com o OSDH.

Civis deixam a região

Se a trégua diária de cinco horas – das 7h às 12h locais – decretada por Moscou, reduziu em intensidade a ofensiva do regime, os bombardeios continuam. Centenas de moradores, mulheres e crianças, tentam escapar da região carregando o que podem em motocicletas ou vans.

No total, dois mil civis fugiram de áreas agrícolas para se refugiar no oeste do enclave, confirmou o OSDH. “Todos estão na estrada, há destruição em todos os lugares. Muitas famílias estão sob os escombros, os socorristas estão sobrecarregados”, relata Abu Khalil, de 35 anos, fugindo da localidade de Beit Sawa, com uma criança ferida nos braços.

Nos hospitais, as mesmas cenas dramáticas são filmadas diariamente por jornalistas: crianças em lágrimas e rostos ensanguentados, homens feridos e cobertos de poeira.

Sofrendo com a escassez de alimentos e medicamentos, os moradores impossibilitados de fugir aguardam a prometida ajuda humanitária. Cerca de 40 comboios da ONU não puderam até o momento entrar no enclave.

340 mil mortos em sete anos

A Síria enfrenta desde 2011 uma guerra complexa que já deixou mais de 340 mil mortos. Debilitado, o regime de Assad conseguiu se recuperar graças ao apoio militar da Rússia.

Depois de ter multiplicado as vitórias contra os rebeldes e os jihadistas, o governo agora controla mais de metade do território, mas está obcecado em reconquistar todo o país.

O presidente francês, Emmanuel Macron, e o secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, reiteraram no sábado (3) sua “grande preocupação” com a situação na Síria. Ambos ressaltaram sua “total determinação para aplicar” uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, sobre um cessar-fogo de 30 dias em todo o país.

Macron conversou neste domingo por telefone com o presidente iraniano, Hassan Rohani. Depois da Rússia, Teerã é um importante aliado do regime sírio. Segundo um comunicado do Palácio do Eliseu, o chefe de Estado francês pediu para que Rohani pressione Assad a colocar um fim aos ataques em Ghuta Oriental.

(Com informações da AFP)

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