Países emergentes, como África do Sul, Índia, México e Brasil são bastante engajados quando o assunto é o uso de inteligência artificial (IA). Ao mesmo tempo, suas populações sofrem com os excessos de tempo de tela, o que tem afetado o bem-estar digital, físico e mental. É o que revela uma pesquisa feita entre a Cisco e a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O objetivo da iniciativa é estudar melhor os impactos da IA na vida das pessoas.
O levantamento mostra que os jovens adultos, com 35 anos ou menos, são os que mais utilizam e confiam na tecnologia, além de serem grandes usuários de redes sociais. No Brasil, por exemplo, 51,6% dos respondentes afirmaram que usam IA no dia a dia, sendo o segundo maior do grupo e ficando atrás apenas da Índia, cujo percentual de usuários é de 66,4% da população.
Já em países europeus, como Áustria, Itália e França, por volta de 25% dos entrevistados disseram que a tecnologia não é confiável. Cenário bastante semelhante ao do Japão. Já por aqui, 34,4% dos brasileiros afirmaram que confiam completamente nela.
Diferenças geracionais
No mundo, 50% dos menores de 35 anos disseram ser usuários ativos da tecnologia e mais de 75% a veem como uma ferramenta útil. Cientes de que a tendência é que ela seja cada vez mais importante no dia a dia, cerca de 50% dos participantes da pesquisa, entre 26 e 35 anos, declararam que já fizeram alguma qualificação em IA. No Brasil, o índice é de 41,4%.
Se os mais jovens são engajados e adeptos à inteligência artificial, pessoas com 45 anos ou mais têm uma outra visão. A maioria considera a tecnologia pouco útil e mais da metade afirma que sequer a utiliza. No geral, quanto mais velho, menor é a confiança na IA.
Em termos de estudo, 27% dos entrevistados entre 46 e 55 anos disseram que tiveram algum treinamento com a tecnologia, sete pontos percentuais a mais do que os maiores de 55 anos.
Olhos na tela
A pesquisa também identificou que a relação com as telas vem se intensificando entre os mais novos, com 48% dos brasileiros afirmando ficar mais de cinco horas por dia no celular, tempo que, segundo o estudo, diminui o bem-estar e desperta insatisfação nestas pessoas.
O cenário não é uma exclusividade do Brasil. África do Sul, Índia e México também sofrem com a mesma situação.
Essa intensa relação também tem despertado dependência de socialização online. Não por acaso, o levantamento indica que os jovens adultos relatam que suas interações sociais são concentradas no universo online.
Ainda segundo a pesquisa, enquanto os mais novos sofrem mais com o tempo de tela, os mais velhos, com 66 anos ou mais, têm mudanças emocionais mínimas ou efeito neutro.
Metodologia
O estudo reuniu dados de 14 países, coletados no início de 2025 segundo padrões da OCDE, em parceria com a Cisco. Ao todo, 14.611 pessoas responderam integralmente ao questionário, com amostras de cerca de 1 mil participantes por país (1,5 mil na Índia). A pesquisa é representativa e inclui informações demográficas e de perfil.
*********************************
Receba gratuitamente a newsletter do Mobile Time e fique bem informado sobre tecnologia móvel e negócios. Cadastre-se aqui!
E siga o canal do Mobile Time no WhatsApp!
Share via:


